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quinta-feira, 7 de maio de 2015

TEMPLÁRIOS/GNOSTICISMO/CATARISMO/CABALA




Para além da história económica e política

Falar de Templários é falar de mistérios, falar de uma instituição que nasceu e cresceu num momento em que se dá um cruzamento entre Religião, Filosofia, Arte e Tradição particularmente profícuo mas também conflituoso. Os Templários têm sido vistos e imaginados de muitas formas, umas lisonjeiras, outras maléficas, outras mítico-mágicas. No entanto, se quisermos perceber mais um pouco desse “caldeirão cultural” em que a Ordem do Templo se formou e desenvolveu, e perceber porque razão foram condenados e castigados pelo Papa Clemente V, como heréticos, há que compreender também que o contato que os cavaleiros do Templo tiveram com as culturas do Oriente nos séculos XII e XIII, os levou a encontrar restos/fragmentos das crenças gnósticas, quer na Palestina quer nas suas sobrevivências especialmente vivas na Grécia, em Constantinopla e em Alexandria.
A Gnose enquanto movimento filosófico nasce entre os Gregos, muito influenciada pelo Platonismo, pelo Pitagorismo, pelos Mistérios de Elêusis, e defende a possibilidade de um conhecimento integral do mundo e dos princípios que o regem implicando uma compreensão que é também auto-conhecimento, o que hipoteticamente nos aproximaria da divindade. Para atingir a Sabedoria eram necessárias várias vias, sendo uma delas a reencarnação.
Desde muito cedo (séculos II e III da era cristã) que as crenças gnósticas estão, presentes em todos os debates e heterodoxias esmagadas progressivamente pela ortodoxia da igreja que se vai construindo como instituição.
Um dos indícios da existência de crenças gnósticas entre os cavaleiros do Templo é a utilização do abraxas, símbolo gnóstico composto por um personagem cujo corpo está coberto por uma armadura, terminando com um vestido curto, donde saem, em vez de duas pernas, duas serpentes, cada uma com duas cabeças. Em geral, a personagem tem na mão esquerda um escudo redondo ou oval, onde estão inscritas as letras sagradas I A O ou A O I ou I A ÓMEGA, e, na outra mão, um chicote que é o do deus egípcio Amon-Ra, símbolo da firmeza, do governo, do poder, da lei, do império sobre os seres e as coisas, o ceptro chicote de Amsu. Esta personagem tem uma cabeça de galo voltada para o céu, lembrando o canto matinal ao Sol.
Entre os selos da Ordem há um, guardado nos Arquivos Nacionais de França, onde figura claramente um abraxas acompanhado pela menção Secretum Templi, e encimado pela cruz da Ordem.
Paul de Saint-Hilaire, numa obra dedicada aos selos dos Templários, refere também a existência da palavra abraxas gravada em cruzes templárias e lembra que”mais de um décimo das impressões deixadas pela Ordem do Templo são entalhes gnósticos dos primeiros séculos, recuperados e montados em selos”. Todos figuravam em selos postos em documentos com datas entre 1210 e 1290.
Na Idade Média, os Cátaros foram os principais representantes das doutrinas gnósticas no Ocidente, e é muito interessante constatar que o desenvolvimento do catarismo em França tenha ocorrido essencialmente nos locais onde os Templários, desde a criação da Ordem registaram o seu maior progresso – no Languedoc e em Champagne.
Como é sabido, para os Cátaros, Deus não pode estar ligado à matéria, o plano da sua realidade é incomparavelmente mais elevado, não podendo estar imiscuído nem na criação material nem na encarnação das almas. Assim, para que as almas pudessem ser salvas Deus teria criado uma emanação de si, para fazer uma ponte entre o céu e a terra – Cristo. Ser “perfeito” não era mais do que um estado preparatório, pois que só pelo consolamentum se recebia a salvação.
Não conhecemos a essência desse sacramento apenas conhecemos as fórmulas do rito e a exigência de uma reunião de homens purificados, sendo o conteúdo espiritual transmitido por um perfeito que o recebera ele próprio de acordo com uma cadeia que se julgava ininterrupta. Um beijo simbólico selava a transmissão de uma vida superior e era o sinal visível da corrente de amor que passava de uns para os outros. Para alguns autores, o consolamentum era o “segredo de Jesus”, o espírito do “Graal”. Na encarnação de Cristo, os cátaros apenas viam um valor simbólico que apenas poderia ter ocorrido em imagem, sem realidade carnal, dado que Deus não podia encarnar na matéria. E, isso também podia muito bem estar de acordo com o ritual de negação de Cristo, que inegavelmente existiu na Ordem, ainda que os testemunhos recolhidos provem que, pelo menos nos últimos anos, aqueles que o praticavam não sabiam verdadeiramente o que faziam. Em 1136, a regra da Ordem foi modificada sendo autorizada a receber no seu seio os excomungados, com a única reserva de que tivessem manifestado arrependimento. Isto permitiu, pois, aos Templários receberem cátaros, tanto mais que não tinham mostrado muita pressa em ajudar os barões do norte na sua cruzada contra os Albigenses.
Não resta também dúvida de que os Templários mantiveram uma relação bastante estreita com os intelectuais das aljamas judaicas, nomeadamente no reino de Castela e de Aragão, onde se estudava a Cabala – uma forma de estudar misticamente as Escrituras, para extrair delas o sentido último da criação da vida e identificar-se com ele.
Simbolicamente, este sentido confundia-se com a possibilidade alquímica de criar, materialmente, essa mesma vida.
Há vários indícios que podem conduzir à suspeita fundamentada de que os Templários beberam em fontes cabalísticas e, em mais de um aspeto, exprimiram esse seu conhecimento em símbolos adotados por eles, aos quais se atribuiu uma interpretação diferente da que os mesmos podem ter quando analisados do ponto de vista esotérico da Cabala. Um desses sinais é precisamente o bafomet , que não seria objeto de adoração idolátrica mas um elemento de meditação , em muitos casos, na sala de reuniões das comendas.
O bafomet é uma representação de uma cabeça, muitas vezes de caráter andrógino,.e uma caveira ou uma cabeça, com barba, e também, por vezes, um pentáculo salomónico.
Também o sinete templário, representando dois cavaleiros montando um único cavalo, o que foi interpretado como um sinal de pobreza – o que é uma interpretação não só falsa como gratuita – coaduna-se bastante com uma leitura cabalística em que Yavé, o criador da Cabala, defende que um único homem não está em condições de apreender inteiramente o seu sentido, portanto escolhe um companheiro e dedica-se a meditar sobre ele a fim de o compreender. O cavalo constitui uma representação oculta dos segredos cabalísticos, que se repetiu ao longo da iconografia e dos mitos medievais.
Muitos são os indícios que nos permitem pensar que existiram razões, para além das óbvias ambições económicas e políticas, para a condenação e extinção da Ordem do Templo, por parte da Igreja, sendo que é certo que o mais temido é aquilo que se desconhece, e, logicamente, quem possua saber desse mesmo desconhecido.
O sagrado acha-se intimamente ligado ao secreto e, isto porque, em última análise, esse sentido da transcendência para o qual tende qualquer crença religiosa representa, para o ser humano, um mistério total e intransponível. A crença originou temor ou, melhor, é uma fonte desse temor – o medo último da morte e do que se possa encontrar por detrás dela.
E esse mesmo medo visceral criou a dependência do Homem em relação àqueles que tiveram – ou aparentaram ter – conhecimento certo do chamado Além.
Texto: Isabel Gualdino
Fotos: retiradas da Internet




terça-feira, 30 de dezembro de 2014

PALÁCIO DO PÁTIO DO SALDANHA OU PALÁCIO DA EGA


O palácio do pátio do Saldanha, vulgarmente conhecido pelo palácio da Ega, constitui um edifício de reconhecido valor artístico e histórico.
O seu núcleo primitivo deve remontar ao século XVI, pois sabe-se que em 1582 já existia a "casa nobre", podendo ler-se esta data na curiosa fonte de "embrechados" à entrada do palácio.

  
O edifício apresenta-se dividido em três corpos principais: o da entrada, cuja fachada dava para o pátio, actualmente um bonito jardim; o do lado Sul, de dois pisos, com uma grande fonte para o Tejo, dando igualmente para um jardim embelezado por um grande lago e o "Salão Pompeia", a nascente, continuação do corpo anterior e ligando também com um jardim superior.
Nos princípios do século XVIII, acrescentou-se ao Palácio um enorme
salão, designado como sala da música, sala das colunas, sala dos marechais e Salão Pompeia.
É sobretudo neste magnifico salão que reside o interesse artístico deste edifício, pois é uma das mais belas salas da cidade. Nele podem admirar-se oito painéis de azulejos holandeses do início do século XVIII, representando vistas das cidades portuárias de Antuérpia, Roterdão, Midelburgo, Colónia, Hamburgo, Veneza, Londres e Constantinopla, e que segundo a opinião de "Santos Simões" serão da autoria do artista holandês "Boomeester". Era um espaço usado como sala de música em grandes banquetes e por isso foi colocada uma estátua de Apolo, o deus da música. Este encontra-se rodeado de frescos, de magníficas colunas e de oito painéis de azulejos holandeses do século XVIII ilustrando os principais portos europeus.
Este salão foi totalmente transformado nos princípios do século XIX. Foi arrancado o tecto primitivo de madeira, tapadas as janelas superiores e construída a falsa cúpula, cujo bordo assenta em oito colunas de Madeira oca. No local das janelas foram pintados painéis ao gosto da época; conservaram-se os painéis de azulejos, mas sacrificaram-se as fiadas extremas para acomodar a caixilharia de madeira.
Durante as invasões francesas conheceu este Palácio um grande esplendor. O "2º Conde da Ega", "Aires José Maria de Saldanha", regressado de Espanha, onde estivera como "Embaixador de Portugal", mandou fazer importantes obras de embelezamento.
Durante essa época, o palácio chegou a ser frequentado pelo general
Junot, uma vez que os Saldanha tomaram partido dos franceses. Após
terem sido expulsas as tropas francesas, os condes de Egavêem -se obrigados a abandonar Portugal e partem para o exílio.
O nome do palácio deve-se a uma das suas proprietárias, a Condessa da Ega, que permitiu que o general Junot, se instalasse no palácio durante as invasões francesas.
Com o palácio abandonado, vai servir como hospial às tropas anglo-lusas e mais tarde de quartel-general do Marechal William Beresford.
Em 1823 a família "Saldanha" é reabilitada e requer a posse da sua casa senhorial. Depois de longa demanda em tribunal, é-lhe finalmente entregue o Palácio em 1839, mas a situação financeira desta família já não lhe permitia a sua manutenção.
No ano de 1843 o edifício foi vendido a um capitalista o "Barão de Forgosa" que promove obras fundamentais, dando-lhe um aspecto exterior semelhante ao que apresenta na actualidade.
A partir de 1919, foi vendido ao "Ministério das colónias", para ali instalar a "escola de medicina tropical" e a construção de um "hospital colonial", (para doenças dos países quentes). Porém são levadas a efeito grandes obras de vulto no palácio em 1931 para poder alojar condignamente o «Arquivo Histórico Colonial», hoje «Arquivo Histórico Ultramarino».
Em 1973, o palácio foi integrado na Junta de Investigações Científicas do Ultramar, actualmente Instituto de Investigação Científica Tropical. É neste imóvel que funciona actualmente o Arquivo Histórico Ultramarino.
Foram os "muitos pedidos de utilizadores da sala de leitura e de estudiosos de património" que levou a sua direcção a autorizar duas visitas gratuitas mensais.
Em 1950, este salão foi classificado como Imóvel de Interesse Público.

CURIOSIDADE
Na "GAZETA DE LISBOA" em 11 de Janeiro de 1806 era publicado o seguinte: 
O Conde da Ega aluga o "Palácio do Saldanha". Quem quiser arrendar o "Palácio" do Exmo. "Conde da Ega", à "Junqueira", por um ou mais anos, pode dirigir-se a "Francisco Caetano Tavares", morador no pátio do mesmo Palácio, denominado  "Saldanha".

FOTOS
Fernanda Lopes
 
Fontes:

Wikipédia
ruasdelisboacomhistria.blogspot.com
www.patrimoniocultural.pt
Outubro de 2014 M Fernanda Lopes


domingo, 28 de setembro de 2014

DA GRAÇA A SANTA APOLÓNIA

 Caminhando por Lisboa – de Santa Clara a Santa Apolónia
(visita guiada pelo Dr. Pedro Santa Rita).

Os participantes nesta "aventura"
Alunos atentos
No espaço ocupado pelo Campo de Santa Clara, em 1147 nem ali, nem pelas imediações se encontrava casa alguma. Diz também Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa que: "(...) era nos séculos velhos um campo descoberto, descarnado de edifícios, em encosta gradual, que caía, a nascente, sobre as ribas do Tejo”.

Era na época um monte inculto, começando no meio da actual Travessa da Verónica e desdobrando-se até à margem do Tejo. Ainda agora é muito amplo, pois desde o Arco Grande de Cima, (datado das remodelações filipinas), que servia de passagem superior e ligava o Convento com os terrenos da sua cerca), até à Rua do Mirante, passando pela proximidade do Templo de Santa Engrácia e do Hospital da Marinha, tudo está compreendido na sua demarcação.
Apesar de tanta gente por aqui transitar, bem pouca se recordará de que nestes terrenos acamparam e sepultaram os seus mortos, as aguerridas hostes de Cruzados Flamengos e Alemães, ao serviço do fundador da nossa monarquia, pois D. Afonso Henriques conseguiu uma aliança com os Cruzados, para a conquista de Lisboa.

Combinado o plano de ataque, ficaram os soldados portugueses com os Flamengos e Alemães no Monte de Santa Clara e os guerreiros aliados Ingleses no Alto da Senhora dos Mártires ou Monte Fragoso, próximo do actual Chiado.
D. Afonso Henriques, sendo um rei previdente e católico, logo que começou o Cerco, mandou edificar no campo uma capela e uma enfermaria.
Coroado que foi de glória o seu arrojado intento, tratou imediatamente de lançar a primeira pedra do edifício de S. Vicente e como o terreno ficava aquém das muralhas mouriscas, cerca moura, chamaram-lhe São Vicente De Fora, tal ficando para sempre. Sabe-se que tanto a Igreja como o Convento à época, eram de acanhadas dimensões.
O nome Campo de Santa Clara está ligado ao sítio desde o ano de 1294. Deve-se o seu nome à Ordem Franciscana de Santa Clara, que em 1288 edificou no local as suas instalações religiosas. Aquela casa religiosa das Freiras de Santa Clara prosperou muito, mas com o terramoto de 1755 tudo ficou reduzido a escombros e cinzas.
A Feira da Ladra teve início no Chão da Feira, ao Castelo, provavelmente em 1272, tendo mais tarde passado para o Rossio. É no ano de 1552 que surge uma primeira notícia da realização da Feira no Rossio, na Estatística Manuscrita de Lisboa. Em 1610 aparece a designação Feira da Ladra numa postura oficial.

Depois do terramoto de 1755 instalou-se na Cotovia de Baixo (actual Praça da Alegria), estendendo-se mesmo pela Rua Ocidental do Passeio Público.
Em 1823 foi transferida para o Campo de Santana, onde esteve apenas cinco meses, voltando para a Praça da Alegria.
Em 1835 voltou para o Campo de Santana, onde se conservou até 1882, antes de passar para o Campo de Santa Clara, às terças-feiras, e, desde 1903, também aos sábados.
Começa de manhã cedo e termina à tardinha, onde centenas de vendedores e compradores negoceiam. Aqui tudo se encontra à venda: utilidades, roupas, livros, objetos de coleção, antiguidades, desde máquinas fotográficas antigas a móveis usados, discos de vinil, relógios de bolso, entre tantas outras coisas… e muitos outros artigos novos e usados.
Mais do que uma mera feira, este é um espaço de encontro animado que permite conhecer melhor Lisboa e os lisboetas.
Estação de Santa Apolónia
Embora não exista acordo sobre a origem do seu nome, a tese mais reconhecida é que o termo “Ladra” se deve ao facto de aí se venderem objetos roubados.
Existe também a ideia de que o nome da Feira da Ladra não tem nada a ver com ladras ou ladrões,mas sim com a língua árabe. De facto a Feira da Ladra remonta ao século XIII (ou mesmo antes), quando a língua árabe era ainda familiar em Lisboa.
Feira da Ladra, quer dizer Feira da Virgem (a Mãe de Jesus), pois "A Virgem" em árabe diz-se "al-aadraa" (العذراء).
Museu Militar
Esta palavra, ouve-se repetidamente na "Nursat", o canal televisivo dos Maronitas (Católicos) do Líbano.

Ficam pois as duas versões sobre a origem do nome da feira, sendo que lá se vendem todo o tipo de objetos nunca sendo questionada a sua origem...
A Estação de Santa Apolónia , construída no local onde outrora existiu o convento de Santa Apolónia e inaugurada em 1865 e o Museu Militar , o mais antigo da cidade de Lisboa, completam o importante legado patrimonial, artístico e cultural, testemunho da sua longa vivência e revelador das diversas mutações sociais ao longo dos anos.


Texto: Fernanda Lopes
Fotografia: Fernanda Lopes

quarta-feira, 16 de julho de 2014

PANTEÃO NACIONAL



Fotografia retirada da Internet
Visita ao Panteão Nacional no dia 22 de junho 2014

O Panteão Nacional é o local onde estão abrigados os túmulos de grandes nomes da nossa História. Existem dois monumentos reconhecidos em Portugal como Panteão Nacional.
A primeira designação de Panteão Nacional foi atribuída em 1916 à Igreja de Santa Engrácia em Lisboa; o segundo monumento a receber essa designação foi o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra.
Em 1910, a igreja de Santa Engrácia, ainda incompleta, passa a ter o estatuto de monumento nacional e depois a função de Panteão Nacional com a Lei n.º 520, de 29 de abril de 1916. Considerado o primeiro monumento em estilo barroco no país, é coroado por um zimbório gigante e o seu interior está pavimentado com vários tipos de mármore colorido.
A escala da igreja hoje dessacralizada é monumental e sente-se sobretudo no interior solene, não tem símbolos religiosos no altar e o espaço mais nobre parece uma enorme praça feita para passear.
É aberto ao público com aquele estatuto, depois de concluídas as suas obras em 1966.
Este templo que para muitos é uma joia do barroco português de influência italiana, tem projeto do mestre João Antunes.
A sua história atribulada, foi-nos primorosamente contada pelo nosso guia, Dr. João Feteira e inclui uma igreja primitiva destruída por uma tempestade, uma lenda à volta de um amor proibido e até uma maldição.
Situa-se no local de uma igreja erguida em 1568, por determinação da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, para receber o relicário da virgem mártir Engrácia de Saragoça e por ocasião da criação da freguesia de Santa Engrácia. Essa antiga igreja foi construída no local de um templo de meados do século XII, mas foi severamente danificada por um temporal no ano de 1681. A primeira pedra do atual edifício foi lançada no ano seguinte, em 1682.
As obras perduraram tanto tempo que deram azo à expressão popular "obras de Santa Engrácia" para designar algo que nunca mais acaba.
Aliada à dita expressão popular, também está ligada uma outra história. Nos registos da paróquia local, há referências ao 'Desacato de Santa Engrácia', ocorrido a 15 de janeiro de 1630, envolvendo o jovem Simão Pires Solis. Conta-se que era cristão-novo e foi acusado de roubar o relicário de Santa Engrácia . Simão foi denunciado ao Tribunal do Santo Ofício pelos vizinhos das redondezas, uma vez que era frequentemente visto perto daquela zona. Não querendo revelar os verdadeiros motivos que o faziam estar tantas vezes ali por perto, e apesar de se declarar inocente, foi condenado à fogueira no Campo de Santa Clara, a 31 de janeiro de 1631. Antes de morrer, e ao passar pela Igreja de Santa Engrácia, lança-lhe uma maldição, dizendo "É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!“. Só mais tarde é que o verdadeiro assaltante foi identificado e percebido o motivo pelo qual Simão nada dissera de concreto em sua defesa: estava enamorado de uma jovem fidalga, Violante, freira no Convento de Santa Clara, próximo a Santa Engrácia, e tinham pretendido fugir juntos naquela noite, uma vez que o seu relacionamento era proibido pelo pai da moça.
A igreja só foi concluída em 1966, 284 anos após o seu início, por determinação expressa do governo da época, após avanços e recuos na sua construção e até ter servido de armazém de armamento do Arsenal do Exército e de fábrica de sapatos nos séculos XIX e XX.
Como Panteão Nacional abriga seis grandes mausoléus no topo dos braços do transepto (o espaço mais nobre) – Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique, mas para evitar a trasladação destes corpos, optou-se por evocar a sua memória através de cenotáfios (monumentos fúnebres sem a presença dos restos mortais).
Das dez figuras que têm os restos mortais na Igreja de Santa Engrácia, só Amália e Sidónio Pais, o Presidente da República assassinado em 1918, recebem flores.
Foi preciso esperar por 2000, para que fossem definidas as atuais honras do panteão. A Lei n.º 28 estipula que estas têm por objetivo “homenagear e perpetuar a memória dos cidadãos que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.
As personalidades sepultadas são:
Em 2011 foi solicitada a trasladação dos restos mortais de Passos Manuel (1801-1862), incontornável figura do ensino, da política portuguesa do século XIX e mentor, da criação de um Panteão Nacional para Portugal, que acabou por não ocorrer devido a restrições orçamentais. O mesmo aconteceu com o famoso compositor Marcos Portugal (1762-1830), pouco depois. Em 2014 a Assembleia da República comunicou oficialmente a sua intenção em trasladar o corpo de Sophia de Mello Breyner Andersen, (1919-2004) com a unanimidade de todos os grupos com assento parlamentar e com o apoio posterior da sua família. A cerimónia deverá ocorrer no próximo dia 2 julho.


    Texto: Maria Fernanda Lopes
    Junho 2014



segunda-feira, 26 de maio de 2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

ACADEMIA DE CIÊNCIAS DE LISBOA

 A Academia foi fundada no reinado de Dona Maria I, no dia 24 de dezembro de 1799, em pleno Iluminismo, como Academia Real das Ciências .
Com o beneplácito da rainha, os seus fundadores foram, respetivamente o seu primeiro presidente e grande mentor o 2º Duque de Lafões e o primeiro secretário o Abade Correia da Serra, que eram opositores do regime do Marquês de Pombl.
A criação deste estabelecimento inseriu-se numa corrente antipombalina, contra o estudo das humanidades, que o Marquês fizera questão em manter.
Em 1783 D. Maria declarou-se protetora da Academia, que desta forma teve o título de Real Academia.
Tendo como presidente o Duque de Lafões, o secretário o Visconde de Barbacena e o vice-secretário o Abade Correia da Serra, a Academia ficou estruturada em três áreas distintas que se designaram por classes, (Ciências Naturais, Ciências Exatas e Belas-Letras), mas em 1851 as duas primeiras juntaram-se na Classe de Ciências e a segunda deu origem à Classe de Letras.
A designação de “Real” viria a desaparecer em 1910 com a implantação da República.
A Academia é uma instituição científica de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica e de autonomia administrativa.
Entre outras missões cabe à Academia incentivar a investigação científica, estimular o estudo da língua e literatura portuguesas e promover o estudo da história portuguesa e das suas relações com outros países. Desenvolve
atividades diversas nos domínios científicos e das letras, produzindo publicações, instituindo prémios a trabalhos de relevo e promovendo a realização de simpósios, conferências ou colóquios, é também órgão consultivo do Governo  em matéria linguística.

Entre os muitos contributos da Academia para o desenvolvimento da ciência em Portugal destaca-se o início das observações meteorológicas em Portugal, pelos académicos Jacob Pretorius e Marino Franzini (1779-1861).
A Academia tem dois institutos: - O Instituto de Altos Estudos, presidido por Adriano Moreira e aberto a peritos e cientistas não pertencentes à ACL. Tem por objetivo a promoção de estudos avançados em Ciências e Humanidades e o Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa, presidido por Artur Anselmo, visa estimular a preservação e expansão da língua portuguesa, estando aberto também à participação de peritos e cientistas não pertencentes à ACL. De entre as obras realizadas pelo Instituto de Lexicologia e Lexicografia da ACL conta-se o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea.

Em 2004, ao proceder-se a obras de manutenção no pavimento do claustro, foram descobertas sepulturas com ossadas amontoadas. Após investigações preliminares feitas pelo diretor do Museu da Academia, Miguel Teles Antunes, descobriu-se que, misturadas com as ossadas dos frades do convento, estavam ossadas das vítimas do Terramoto de 1755. As ossadas têm sido estudadas por diversos investigadores, tendo sido feitos dois colóquios inter-académicos no Salão Nobre sobre esta temática.
Para além dos recursos próprios, a Academia passou a administrar, a partir de 1792, o Museu de História Natural doado à Academia por José Mayne (1723-1792).
Em 1855, por falta de condições financeiras para uma adequada manutenção do seu espólio, o Museu foi encerrado ao público. Em 1858, o governo decidiu transferir todas as coleções de Zoologia e Mineralogia para a Escola Politécnica de Lisboa, dando origem ao Museu de História Natural da Escola Politécnica, depois chamado Museu Bocage. Este espólio veio a arder no incêndio que ocorreu na Faculdade de Ciências de Lisboa em Março de 1978.
No entanto, o legado de José Mayne continua hoje ainda vivo na Academia, através do Museu Maynense, integrado no Museu da Academia.
Procurando facilitar o acesso à informação, a Academia disponibiliza uma área no seu sítio da Internet denominada "Biblioteca Digital – repositório de informação histórica e científica".

Nesta área, o público tem acesso, numa primeira fase, a um conjunto de mais de cem documentos entre manuscritos, livro antigo impresso e processos individuais dos sócios da Academia. A Crónica Geral de Hespanha é um dos mais importantes textos da historiografia medieval, tendo o exemplar da Academia o texto escrito sobre folhas de pergaminho, contendo um vasto conjunto de iluminuras, das quais se destacam as letras capitulares, nas aberturas de capítulo ou de parágrafo.
A Biblioteca da Academia, integra a antiga Livraria do Convento de Nossa Senhora de Jesus de Lisboa, composta por um fundo de manuscritos, incunábulos e livro antigo impresso do século XVI ao século XIX – sendo, por isso, considerada uma biblioteca patrimonial. 
A Biblioteca, ocupa o Salão Nobre da Academia das Ciências, que se destaca pelas pinturas do teto, atribuídas a Pedro Alexandrino de Carvalho, pelo revestimento das paredes com estantes de talha dourada e pela galeria em redor de balaustrada contínua. Considerada uma das mais importantes bibliotecas do país, especialmente para a investigação nas áreas da Língua e Cultura Portuguesa, está aberta a membros da Academia, a outros académicos e cientistas e ao público em geral. Para além de obras modernas, integra a antiga biblioteca do referido convento, reunindo um espólio com cerca de 3000 manuscritos portugueses, árabes, espanhóis e hebraicos e uma inestimável coleção de livros dos séculos XIV, XV, XVI e XVII. Acolhe, também, uma das mais completas coleções de periódicos de todo o mundo relacionadas com Ciências e Humanidades. Funciona ainda, como Depósito Legal, onde um exemplar de todo o artigo, livro ou texto publicado em Portugal é arquivado.


Bibliografia - Wikipédia, a enciclopédia livre , Sítio da CML- equipamentos, Observatório da Língua Portuguesa, www.acad-ciencias.pt



Maria Fernanda Lopes – maio 2014

terça-feira, 6 de maio de 2014

A HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

O texto que se segue e o vídeo do post anterior foi-nos enviado pela associada Fernanda Lopes

"A história da língua portuguesa é a história da evolução da língua desde a sua origem no noroeste da Península Ibérica até ao presente, como língua oficial falada em Portugal e em vários países de expressão portuguesa. 
Em todos os aspectos - fonética, morfologia, léxico e sintaxe - o português é essencialmente o resultado de uma evolução do latim vulgar trazido por colonos romanos no século III a.C., com influências menores de outros idiomas. O português arcaico desenvolveu-se no século V d.C., após a queda do Império Romano e as invasões bárbaras, como um dialecto românico, o chamado galego-português, que se diferenciou de outras línguas românicas ibéricas. Usado em documentos escritos desde o século IX, o galego-português tornou-se uma linguagem madura no século XIII, com uma rica literatura. Em 1290 foi decretado língua oficial do reino de Portugal pelo rei D.Dinis I. O salto para o português moderno dá-se no renascimento, sendo o Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516) considerado o marco do seu início. A normalização da língua foi iniciada em 1536, com a criação das primeiras gramáticas, por Fernão de Oliveira e João de Barros. A partir do séc. XVI, com a expansão da era dos descobrimentos, a história da língua portuguesa deixa de decorrer exclusivamente em Portugal, abrangendo o português europeu e o português internacional".



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

CAPELA DE SANTO AMARO

Ouvindo as explicações da Presidente da VCA
 A Capela de Santo Amaro,  foi edificada em 1549, seu projeto é atribuído a Diogo de Torralva, e está classificada como Monumento Nacional pelo Decreto datado de 16 de Julho de 1910.
A fundação da Ermida atribui-se aos tripulantes galegos de uma barca que teria aqui dado à costa, embora haja quem a ligue à iniciativa de uma série de frades da Ordem de Cristo, regressados de Roma, que aqui teriam iniciado a sua ascese religiosa
Desde cedo local de Romaria, tornou-se famosa pela Romaria de Santo Amaro, uma das mais apreciadas em toda a cidade, que decorria a 15 de Janeiro, tendo a última sido realizada em 1911.

Esta ermida apresenta uma curiosa planta circular (oito metros de diâmetro) encimada por cúpula rematada por lanternim, vazado por três janelas e coroado por pequena cúpula.
A capela-mor, também circular, é ladeada, à direita, pela sacristia (contígua à galilé) que ostenta belo arcaz com pinturas alusivas à vida do padroeiro e aos seus milagres mais relevantes. O belíssimo lavabo embebido na parede possui medalhão de mármore, também referente a um importante milagre em que o santo impede Plácido de morrer afogado. Parece ter sido aqui, no espaço ocupado pela sacristia, que se ergueu a ermida inicial, da mesma devoção, segundo inscrição na porta principal. No flanco esquerdo, a capela-mor é ladeada pela casa do despacho.
A ermida ostenta dois altares de madeira, sendo o do Evangelho de invocação a S. João Batista e o da Epístola a Santa Bárbara. Destacam-se os silhares policromos, de azulejos, que vestem as paredes a um terço da altura, versando cenas da fundação do templo, datáveis do século XVIII, identificados como provenientes das fábricas do Rato.

A capela-mor, abobadada, possui imagem do orago (Santo Amaro) no altar-mor, de talha. A nível da cobertura, o coro central é ladeado, superiormente, por dois terraços. A igreja é envolvida por estrutura poligonal de sete lados retilíneos, dos quais três constituem as aberturas, onde se inserem os portões que abrem para um recinto semicircular que forma uma galilé de entrada. Os portões, do século XVIII, são de ferro forjado e a sua gramática decorativa alude aos atributos do santo.


Parte de trás da capela de Santo Amaro
A galilé, abobadada, forma um conjunto harmonioso, com as suas paredes revestidas por magníficos azulejos policromos de fins do século XVI, inícios do século XVII, de sabor renascentista, onde se misturam rótulos, pendurados, anjos, festões e fitas, a par com a simbologia de Santo Amaro, atribuíveis a Francisco de Matos. No muro da galilé há dois altares laterais rasgados, cujos silhares representam o santo em figura natural - num deles estamos perante Santo Amaro peregrino, segurando o tradicional bordão; no outro é já o confronto com a sua condição de bispo, realçado pelos usuais atributos, a mitra e o báculo. Estes painéis são separados por pilastras azulejares, com sereias imbricadas em temática vegetalista. A galilé é enriquecida com bancos de cantaria junto às paredes.
Os portões, são datados do século XVIII de ferro forjado, sendo que a sua gramática decorativa alude aos atributos do santo.


Fontes: Wikipédia: SIPA; Guia da Cidade; DIDA/IGESPAR,I.P./ Setembro de 2007

Texto enviado por Fernanda Lopes
Fotografia: Fernanda Lopes

domingo, 10 de novembro de 2013

PELOS CAMINHOS DE CISTER I

 Alcobaça

Enquanto não chegávamos, a Maria Luísa Ferreira, durante o trajeto de autocarro,  falou-nos sobre a Ordem de Cister, para que alguns de nós tivéssemos um primeiro "contato" com esta ordem e com o que com ela está relacionado, a sua importância na "colonização e desenvolvimento das vastas áreas que ocuparam, utilizando técnicas agrícolas inovadoras". Foi relembrado que uma das primeiras fundações monásticas cistercienses em Portugal foi o Mosteiro de Alcobaça.
Entretanto chegados ao nosso primeiro destino, Alcobaça, tínhamos à nossa espera o prestigiado Dr. Rui Rasquilho, dono de uma capacidade enorme de comunicar e douto nas suas palavras.
A partir daqui fiquem com as imagens!
No Parque do Mercado Municipal - Rua Dr. Brilhante
Igreja da Conceição conhecida anteriormente como Igreja de Santa Maria a Velha
Confluência do rio Baça com o rio Alcoa
Central eléctrica na confluência dos rios Alcoa e Baça
Ponte sobre o rio Alcoa
Calçada portuguesa com a flor de lis em  homenagem e ligação aos monges cristiciensis, oriundos de França, país de que esta flor é símbolo
Ponte sobre o rio Alcoa
Uma perspectiva da Biblioteca Municipal
Rio Baça





Igreja de Santa Maria

Fachada norte do Mosteiro de Santa Maria (Praça D. Afonso Henriques)
Arcos de Cister que no tempo dos Frades de Cister ligavam o antigo celeiro a outras dependências do Mosteiro de Santa Maria.
Mesa sobre a qual os monges copistas, na época medieval trabalhavam

As ruínas do Castelo Islâmico bem em evidência

Nave central da Igreja de Santa Maria

Altar mor da Igreja de Santa Maria


Túmulo de D. Pedro I na Igreja do Mosteiro  de Santa Maria
Túmulo de Dª Inês de Castro na Igreja do Mosteiro de Santa Maria




Altar mor da Igreja de Santa Maria
Panteão régio  no Mosteiro de Santa Maria (túmulo de D. Beatriz de Gusmão)
Santo Isaías em pedra policromada
Portal manuelino, é o que resta da Sacristia Nova, mandada construir em 1519 e praticamente toda destruída com o terramoto de 1755. O arquiteto foi João de Castilho, que também trabalhou noutras obras de referência como o Mosteiro dos Jerónimos. LF



Capela Relicário obra da 2ª metade do séc.XVIII. LF

Sala dos Reis do Mosteiro de Santa Maria
Sala dos Reis no Mosteiro de Santa Maria
Sala dos Reis no Mosteiro de Santa Maria
Sala dos Reis no Mosteiro de Santa Maria



Campa à entrada da sala dos Monges
Sala dos Monges no Mosteiro de Santa Maria
Sala dos Monges no Mosteiro de Santa Maria
Sala dos Monges do Mosteiro de Santa Maria (vista de dentro para fora)
Mesa de cozinha talhada em pedra
Dormitório
Jardim do Claustro do Silêncio ou da Levada
Escada de acesso ao dormitório
Dormitório do Mosteiro de Santa Maria com obeliscos
Gárgula do séc. XVI - corrente subterrânea
Grelha com lareira na cozinha
Lavabo no claustro
Refeitório

Pormenor da base de uma coluna do claustro
Átrio da Igreja do Mosteiro de Santa Maria (com obeliscos)

Átrio da Igreja com obeliscos vendo-se, entre dois deles, ao fundo, as ruínas do Castelo Islâmico
Igreja e Mosteiro de Santa Maria
Perspectiva da Praça da República com vista para os Arcos de Cister (conjunto de dois arcos integrados, em construção setecentista, que os ligam com a Praça D. Afonso Henriques)

A partir daqui, caminhámos até ao autocarro que nos aguardava para nos conduzir ao local onde iríamos almoçar.

Legendas: Carlos Silva
Fotografia: Carlos Silva
 Francisco Ferreira