Mostrar mensagens com a etiqueta Poetas somos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poetas somos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de setembro de 2014

LUA CHEIA








Na noite de Lua cheia
Roubei o seu manto branco.
Embrulhei nele meu sentir
Fechei os meus olhos,
Cerrei a minha boca
E matei meu grito.







Poema: Glória Chagas
Fotografia: Internet

segunda-feira, 19 de maio de 2014

MÃOS

Olho as minhas mãos….
Imagem retirada da Internet
que foram brancas…
suaves…
esguias
macias…...

e não as conheço.
Ponho as minhas mãos
à noite, no vidro da janela
e peço à lua cheia que as ilumine.
A lua escurece
e desaparece
no céu estrelado.
Olho as minhas mãos
Que perderam a brancura…
a suavidade…
a macieza…
e escondo-as no meu xaile.
Tão lindas que elas eram!
Porque ficaram velhas?
A lua espreita pelo vidro da janela.
Voltou!
Voltou metamorfoseada
no teu rosto
quando o acaricio com as minhas mãos.

Poema: Maria da Glória Chagas
14 de Maio de 2014



quarta-feira, 30 de abril de 2014

ATÉ SEMPRE JOÃO


Imagem cedida pela autora do poema
Praia
Fortaleza
Pontão
Onda vai…onda  vem…
Gaivotas  que  esperam
O sol, o barco, o peixe.
Passeando
Ele  vê,
Ele  sente,
Ele  cheira
O seu  ar … a  sua  terra … o  seu  mar…
A maresia.
E espera.
Espera  o  futuro  que  não  se  vê.
A linha  do  horizonte  afasta-se
E perde-se  para  lá  do  fundo.
E regressa  à  rua, à  marginal
Onde todos  passam.
Passam  olhando  e  não  vendo.
E ele  caminha,
Anda  e procura  o  dia  que  tomba.
O sol  põe-se  atrás  do  farol.
Cai  a  noite  e  ele  continua  a  andar
Em  direcção  ao  seu  mar
Levando  no  olhar a  sua  amada  Sesimbra.

E  dilui-se  para  lá  do  horizonte.
       Texto: Glória Chagas

sexta-feira, 28 de março de 2014

GRITO

Neste dia triste de primavera invernosa ou, inverno primaveril, eu grito a minha tristeza de falta de sol e calor. 
       Escrevi teu nome
Nas folhas da giesta.
O Grito do pintor norueguês Edvard Munch (1893)
Um leve sopro
 Levou-as para longe.
          Gastei  meu  lápis
Na escrita do teu nome.
          Gastei meu papel
Na escrita do teu nome.
          Gastei meus dedos
Na escrita do teu nome.
          Gritei  ao mar
Teu nome redondo
E as ondas mo levaram.
          Gritei  ao vento
Teu nome redondo
e a ventania mo levou.
          Gritei para o ar
Teu nome redondo
 e o eco me respondeu:
                                                                        Não vou   Não vou.
Não vou.                  Não vouuuuuuuuu


Poema : Glória Chagas
27 de Março de 2014

ALFAZEMA

Quinta dos Arcos (Lisboa)

É um cheiro de infância
A terra molhada
No quintal das traseiras..
É uma bola que salta na rua
Os pés na calçada
Sem rumo e sem pressa.
São os cachorros latindo
Os carros passando
É o gato que salta
Para o muro  do vizinho.
Mas... ao fechar  a caixa
Vão-se  as lembranças
Mostrando que tudo
Não passou de sonho.
Só me resta a rotina
E as noites sem fim
Caminhando sem rumo.
Até chegar a manhã.



 Poema e foto: M Fernanda Lopes
Março 2014

domingo, 9 de março de 2014

DIA MUNDIAL DA MULHER - 2014

POEMA da minha autoria para todas as Mulheres do meu país.
Para todas as Mulheres do mundo que ainda não conseguem ser livres.

Mulheres protestando
Pintura de Di Calvacante 

Um espermatozoide atrevido
Encontrou um óvulo apaixonado.
E formou-se um SER.
Homem? Mulher?
A mesma técnica para qualquer dos dois.
Assim nasceu um Menino.
Assim nasceu uma Menina.
A menina levou mimos, beijinhos, colinho…
O menino também.
A menina foi para a cresce, para o jardim-de-infância.
O menino também.
A menina frequentou a escola, os vários ciclos…
O menino também.
A adolescência chegou exaltada, apressada, ávida de viver.
A menina virou Mulherzinha.
O menino virou Homenzinho.
E o tempo correu. Correu sem esperas nem atrasos.
A mulherzinha é Mulher.
O rapazinho é Homem.
Ambos trabalham ou estudam
E entram no mundo do trabalho.
Um dia,
Cada um deles constitui a sua família.
A mulher trabalha fora de casa, trata dos filhos, trata da casa, governa-a…
O homem ajuda.
A mulher sai do emprego a correr,
passa pelo supermercado – sempre olhando para o relógio – faz as compras,
vai buscar os filhos à escola, pensa no jantar…
O homem chega muito mais tarde…
Esteve a trabalhar.
A mulher fica em casa,
os filhos estão doentes,
os pais estão no hospital
E ela corre para aqui, corre para ali, e corre .. e corre…
O homem não pode faltar ao trabalho.
Hoje é dia da Mulher?
Hoje o mundo lembra-se que ela também é uma pessoa?
Hoje ela merece ir jantar com as amigas, ir ao cinema ou ao teatro?
Ir á discoteca, beber um copo?
Hoje é o dia delas – pensa a maioria dos homens – façam o que quiserem!!

Mas os outros 364 dias?

Meus bons amigos, esses é que são os dias da Mulher!!!!!!!!!!!!!!!!

Poema: Glória Chagas


quinta-feira, 6 de março de 2014

FOGO

Aquece
E não sei porquê
Apetece
Olhá-lo intensamente,
Com ardor.
Com os olhos
Absorver o calor.
Olhá-lo,
Seguir-lhe a ondulação,
Entrar em meditação,
Estar nisto horas sem fim.

E só então dar por mim
A ressonar!



Poema: Ana Amorim
Fotografia: Internet

sábado, 1 de fevereiro de 2014

NO RIO VOLGA


Rio Volga
Mar. Rio. Água.
Verde Muito verde. Árvores.
Gaivotas grasnam
bicando-se, perseguindo-se
com Amor.
Peço ao barco que passa
que leve a minha saudade.
No rio Volga a boia marca
e retém a minha tristeza.
Levanto a mão à asa da gaivota.
Fica-me a sua pena
com pena de não te ver.
O farol que ilumina o rio,
 a minha solitária alma,
é a luz dos teus olhos,
 encaminhando-me para ti.
E parto num voo rasante
nas asas de uma gaivota.

 

Poema:Maria da Glória Chagas
Imagem retirada da internet

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

POESIA É RISCO

Mulher escrevendo no jardim
Quando pego na caneta e ela começa a escrever sozinha, sem o controlo dos meus dedos, temo que fuja para campos repletos de minas.
Há minas grossas que escrevem sentenças de morte e penhoras de bens.
Há as médias que escrevem cartas, romances, anedotas….
Há as finas que escrevem poesia e fazem riscos.
Portanto pensemos:
- As minas escrevem poesia
-As minas fazem riscos
Logo, a poesia é risco.

Abençoado silogismo.
Poema: Maria da Glória Chagas
Tela: autor desconhecido

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

AMANHÃ É OUTRO DIA


Olho o céu escuro
e não vejo  estrelas.
Espera-me uma longa noite,
Deito-me numa cama fria
com almofadas sobrepostas
onde poiso a minha cabeça
cheia de vazio.
De olhos fixos na porta
vejo deslizar fantasmas
de um corpo teu que, por instantes, foi meu.
Como é longa a noite!
sem estrelas e sem lua.
Sobre mim  passam
as emoções que foram nossas.
Passam ligeiras e deixam a saudade.
O sono retarda e a solidão deita-se comigo.

O cansaço da cabeça vazia.
apenas deixa o olhar ver.
Não ouço a tua voz.
Não sinto o teu calor.
Tão só vejo fantasmas de ti.
O sol nasce e bate nos vidros.
É dia. É outro dia.


Poema: Maria da Glória Chagas
Tela: pintor  Pascal Chôve

terça-feira, 22 de outubro de 2013

PROCISSÃO DO SENHOR JESUS DAS CHAGAS


Maria Eufrásia Pólvora dos Santos (poeta popular)  poesia extraída de uma colectânea denominada “Poetas Populares do Concelho de Sesimbra” editada pela C. M. de Sesimbra – 1988



Foi há muito. Muito tempo
Que nem sabemos contar
Que na nossa bela praia
Uma Imagem veio parar
Talvez por força do Destino
Esta Imagem aqui veio dar
Trazida pelas fortes ondas
Deste nosso bravio mar
Foi recebida com alegria
E com absoluta concórdia
A Imagem foi levada
P’rá capela da Misericórdia
Mas pelo seu divino aspecto
Um nome lhe quiseram dar
E  foi  Senhor Jesus das Chagas
Que a passaram a chamar
Mas os nossos antepassados
Homens de bom coração
Logo à imagem fizeram
Uma bela Procissão
E hoje passados séculos
Há foguetes a estalar
Há festa na nossa Vila
E a Procissão vai passar
Há festa e arraial
Há as ruas iluminadas
Mas na hora da Procissão
Há janelas engalanadas
Vão os nossos Pescadores
Com capas na Procissão
Levam respeito e fé
Dentro do seu coração
E ao Senhor Jesus das Chagas
Uma prece vão implorar
Livra-nos das garras do mar
Ajuda-nos sempre a voltar
E ao passar da Procissão
E sem em Jesus acreditar
Vão fazendo os seus pedidos
Com os olhos a chorar
E no alto do seu andor
Cheio de lindas flores
Vai abençoando a todos
Mesmo aos que são pecadores
Abençoa o nosso mar
E nossos barcos também
Abençoa a nossa Terra
E todos os que cá vem
Por isto Senhor Tu és Rei
E não há maior sinal
Protege a nossa Sesimbra
E o nosso Portugal.”






Nota: O  poema acima transcrito foi-nos enviado pela nossa amiga e associada Maria Glória Chagas